POESIA
Poesia Filatélica
Pedistes selos? Pois selos /
Tereis os que apetecerdes, /
Encarnados, amarelos, /
Azuis, roxos e verdes; //
Tê-lo-eis grandes, pequenos, /
A farta postos à escolha /
Uns melhores, outros menos, /
Uns velhos, outros em folha. //
Mandar prefiro os antigos, /
De velhos, cansados povos /
Pois os selos, como amigos, /
Mais valem velhos que novos. //
Tê-los-eis dos mais legítimos /
desde o tempo dos Henriques, /
Em réis, centavos, cêntimos, /
Em shillings e peniques. //
Tê-los-eis com vários bustos /
Tê-los-eis de vários anos, /
De imperadores vetustos /
E chefes republicanos. //

Tê-los-eis de vários gostos, /
Firmados em línguas várias, /
Mostrando diversos rostos /
De personagens lendárias //
Rostos de moços e velhos /
Que humildes povos incensam, /
E de importantes fedelhos /
que já reinam e ainda não pensam ; //
De rainhas primitivas /
Que a nós só contam da História /
E de outras que estão bem vivas /
Como a grande Rainha Vitória; //
De Colombo e sua roda, /
De Santo Antônio e do Papa. /
Pois, depois de selo é moda /
Já ninguém do selo escapa. //
Apesar receio, amigo,/
Que à força de mandar selos /
Fique eu doido e vós comigo /
à força de recebê-los. /
(Aluísio de Azevedo)