História de vida (e não estória de pescador).
Orlando Dias da Silva, mais conhecido como Gainha, é um antigo pescador e morador da Praia do Diogo, localizada a 3 km da Praia das Fontes, município de Beberibe/Litoral Leste cearense, onde é proprietário da “Barraca do Orlando e Família”.

Pescador profissional desde os 20 anos, exerceu o ofício até os 32 anos quando viveu a experiência mais dramática de sua vida.
Ele e dois outros pescadores, Raimundo e Evandro, um deles irmão e o outro cunhado, saíram para pescar, como era de costume.
Fizeram o trajeto costumeiro e já haviam obtido uma boa quantidade de pescado, dentre eles 20 quilos de lagosta, quando sobreveio uma tempestade em alto mar.
Resultado: o vento rasgou a vela da pequena jangada e eles ficaram à deriva, durante intermináveis 7 dias.
Foram dias de muito sofrimento, vestidos só com a roupa do corpo, sob o sol escaldante durante o dia, frio intenso durante as noites, muita chuva e vento gelado que rachava os lábios e castigava a pele. À noite jogavam a âncora para que pudessem dormir e durante o dia claro, deixavam-se levar pelas ondas do mar.
A alimentação consistia em peixes, farinha de mandioca e água potável bem racionada.
A comunidade se mobilizou, pediu socorro às autoridades, mas as buscas resultaram infrutíferas.
Já os pescadores oraram muito, confiaram em Deus e não perderam a fé: um belo dia chegaram na Praia da Caponga, na cidade de Cascavel, a cerca de 20 km da Praia do Diogo/Praia das Fontes.
Foram recebidos com festa quando retornaram para casa e passaram algum tempo tratando da saúde.
O fato ocorreu em 1977 e foi notícia veiculada nos maiores meios de comunicação do nosso país.
Atualmente, Gainha desistiu da pesca e trabalha na sua barraca muito bem localizada na praia do Diogo e é um feliz proprietário. Ali serve pratos regionais muito saborosos e apreciados pelos turistas, cerveja gelada, água de côco, além de contar muitos “causos”.
Sua clientela inclui seu amigo particular Raimundo Fagner, o grande cantor cearense, que de vez em quando chega sem se anunciar, senta no banco, puxa a viola, toca, canta e faz show particular para seus amigos.
Esta é uma história de vida e não estória de pescador.

Grande Gainha, um herói dos mares!
Na foto, com minhas amigas Katiucia Santos e Ritinha de Acaraú.